
Alexandre Vidal / Flamengo
“A virada: milagre em Lima” – confira a resenha do livro de Dudu Monsanto
Assim que soube que “A virada: milagre em Lima” seria lançado e que Eduardo Monsanto registraria a épica conquista da Libertadores de 2019, criei expectativa positiva.
Afinal, “1981 – O ano rubro-negro”, primeiro livro do autor, era uma ótima referência do que estava por vir. Ao contrário do que aconteceu com o Dome ou o Michael, felizmente, a expectativa correspondeu. E o livro encaixou muito bem na minha Estante Rubro-Negra.
Mais do que um livro, “A virada: milagre em Lima” é um doculivro da épica conquista do Fla
Monsanto começa trazendo três momentos aparentemente distintos: o fim (da temporada de 2019, com a perda do Mundial), o começo (da reconstrução do Flamengo na gestão Bandeira de Mello) e a tragédia (do Ninho do Urubu).
Revisitar esses episódios ajuda a mostrar o tanto que o Flamengo tem a fazer para conquistar a tal hegemonia – e, principalmente, a profissionalização. No dia que o clube tiver um departamento de futebol e de outras áreas-chave realmente profissionalizadas, a Nação vai correr menos riscos de ter que engolir seco ou engolir choro – seja por perder um Mundial ou por perder vidas.
Aí, entra outro mérito do autor. Ele costura a narrativa minuciosa dos acontecimentos com depoimentos de pessoas relacionadas aos fatos. É um documentário escrito, onde elementos de bastidores criam a atmosfera perfeita para reviver tudo aquilo que nossos olhos testemunharam.
É importante aqui fazer uma ressalva: por opção do estafe do jogador, Gabigol não deu depoimentos para o livro. Faz falta? Sim. Compromete o resultado? De jeito nenhum. Monsanto dá aula de como “jogar” sem Gabriel Barbosa, fazer a recomposição adequada e não abrir mão da vitória (aprende aí, Ceni…).
Sabe o tal “recordar é viver”? É isso. Esse é o espírito de “A virada: milagre em Lima”.
Embora reviver a dor do Mundial perdido e da página mais triste da história do clube possa ser meio indigesto, na sequência, as páginas trazem de volta os momentos de sonho que vivemos.
Experimenta ler alguns trechos e fechar os olhos, refazendo as imagens mentalmente. Faz um bem danado…
A descrição detalhada das partidas nos leva de volta ao estádio, recria a atmosfera dos 38 anos de espera jogo a jogo e refaz a magia da trajetória que culminou naquele dia 23 de novembro de 2019.

Divulgação
Outro ponto positivo: além das fotos – que vão desde imagens dos ingressos das partidas, dos nossos 10 até registros de diversos momentos da conquista – o livro traz infográficos dos gols do Flamengo na campanha do bicampeonato da América e no Mundial.
Você vê os desenhos e a mente vai colocando a narração… Incrível, épico, memorável…

Resumindo: o segundo livro de Eduardo Monsanto é mais um legado positivo que 2019 trouxe. É mais um gol rubro-negro para comemorar.
Acho que vale até uma leitura “cruzada” com “Outro patamar: análises sobre o Flamengo de 2019 e as lições para o futebol brasileiro”, do excelente Téo Benjamin. Juntos, os dois livros podem oferecer um recorte bem apurado de um período que já deixa muita saudade na Magnética.
Fica a torcida para que Eduardo Monsanto tenha mais e mais motivos para escrever sobre o Flamengo e outras conquistas grandiosas. E só para não perder a oportunidade: obrigada, 2019!
O autor
Nascido em Petrópolis (RJ), Eduardo Monsanto é escritor, locutor esportivo e jornalista. Começou a carreira na Rádio Solar, em Juiz de Fora (MG), indo logo depois para a TV Panorama (afiliada da TV Globo na cidade).
Fez parte da equipe da ESPN por 13 anos, cobrindo três Copas do Mundo e três Jogos Olímpicos. Atualmente, além de narrador da DAZN e da plataforma OneFootball, também é presidente da “Frente Azul” (grupo gestor do Serrano, clube petropolitano).
Além de “A virada: milagre em Lima”, Eduardo Monsanto também é autor de “1981: o ano rubro-negro”.