A Moça Do Flamengo
Felizmente, é cada vez mais comum a presença de mulheres atuando no jornalismo esportivo. Mas a realidade não foi sempre assim. Não faz muito tempo, a presença feminina neste segmento da mídia era inviável. Mais do que isso: era um tabu para muita gente. Não para Marilene Dabus. Foi ela que abriu caminho para todas as profissionais que vieram depois. Graças ao seu espírito pioneiro, ela encarou o desafio de ser a primeira setorista de um clube de futebol no Brasil – algo impensável para as mulheres de sua época. Felizmente, ela não era uma mulher comum: ela foi e sempre será “A Moça do Flamengo” – não por acaso, o título de sua autobiografia lançada no fim de 2019. Até na literatura, este foi realmente um ano muito vitorioso para o Flamengo.
Uma mulher à frente do seu tempo
A paixão de Marilene Dabus pelo futebol e, mais especificamente, pelo Flamengo, surgiu graças ao incentivo do tio, o jogador de futebol Caxambu. Campeão carioca de 1939 pelo Mais Querido, ele fascinava a sobrinha com histórias, fotos e recortes de jornal que tornavam o futebol um tem bem familiar.
O gosto pelo assunto rendeu a ela um convite para participar de uma atração na extinta TV Tupi. No programa, do tipo “perguntas e respostas”, Marilene responderia às questões formuladas sobre um determinado tema. Queriam que ela falasse de futebol. Ela escolheu falar do Flamengo. Com direito a torcida no auditório, sua participação fez dela uma figura conhecida. Onde ela ia, as pessoas se referiam a ela como “A Moça do Flamengo”. Além da fama e do apelido, a atuação no programa rendeu também um convite para trabalhar no também extinto jornal “A Última Hora”. Lá ela passou a escrever uma coluna sobre o Flamengo. Muitas mulheres se identificaram com o “olhar feminino” sobre o futebol e passaram a se interessar mais pelo assunto e frequentar mais o futebol.
Marilene Dabus e seu amor pelo Flamengo
A profunda ligação com o rubro-negro da Gávea esteve presente do início ao fim da carreira de Marilene. No livro, ela conta sua trajetória – primeiro cobrindo o clube e depois trabalhando nele, após integrar a Frente Ampla pelo Flamengo – um dos mais importantes grupos políticos que o Mais Querido já teve e que foi essencial para a Era de Ouro liderada por Zico.
Descontraída, bem-humorada e original, ela compartilha episódios curiosos não só sobre o Mengão, como também do Rio de Janeiro em seus áureos tempos, construindo um bate-papo amistoso e franco, apoiado pelas inúmeras fotos de seu arquivo pessoal.
Ainda que, em muitos momentos, as páginas deixem um certo gostinho de “quero mais”, a biografia de Marilene Dabus é uma ode à sua alegria, ousadia e amor ao Flamengo. E mais do que isso: o lançamento do livro acabou sendo uma merecidíssima homenagem que ela recebeu ainda em vida. Pouco depois da publicação e da festa de lançamento realizada na Gávea, Marilene acabou perdendo a batalha para o câncer, falecendo em janeiro de 2020, aos 80 anos.
a moça do Flamengo tinha a alegria como marca registrada

Musa do Carnaval do Fla

Com Renato Gaúcho, no Baile do Vermelho e Preto

Sempre Flamengo

Com o amigo Paulo Cézar Caju
Fotos: Divulgação
Pioneira também nas iniciativas
- Em 1971, Marilene Dabus fez a primeira entrevista com Zico, maior ídolo da História do Flamengo. Ela também foi a primeira mulher a entrevistar Pelé.
- Além de criar o famoso Baile do Vermelho e Preto, ela criou a Fla-Boutique (primeira loja de produtos do clube).
- Ela foi a primeira assessora de imprensa do Flamengo e dá nome a uma sala de imprensa na Gávea.
- A Moça do Flamengo foi a responsável por batizar o Centro de Treinamento George Helal, em Vargem Grande, com o apelido pelo qual o local é mais conhecido: “Ninho do Urubu”.