Jorge, Amado e Desamado

Por Glaucia Marques
“Olê, olê, olê. Mister, Mister!”. O coro da torcida no estádio não deixa dúvidas: Jorge Jesus é, atualmente, muito mais do que um técnico. Ele é um ídolo rubro-negro, festejado e celebrado pelos torcedores com as mesmas honras que os craques da equipe atual. E não é para menos. Afinal, o Mister é um dos grandes responsáveis pelo temporada mágica vivida pelo clube em 2019. O sucesso em campo se estendeu também para as livrarias e várias publicações sobre o português têm pintado por aqui.



Não me considero um mestre da tática. Sou um apaixonado pelo futebol.
Uma delas é “Jorge, amado e desamado – A incrível história do treinador do Flamengo”, biografia lançada pela Chiado Publishers. Escrita pelo também português Luís Garcia, a publicação já havia sido lançada em Portugal há alguns anos com o nome “Não Sou Eça de Queiroz – O Mundo de Jorge Jesus”. Na edição portuguesa, o título foi escolhido para passar a ideia de que Jesus não é um “acadêmico” da bola e sim um grande apaixonado pelo futebol.
E o livro é uma oportunidade para conhecer melhor como essa paixão foi decisiva para o sucesso como treinador. Do surpreendente início de carreira na 3ª divisão portuguesa até o sucesso dirigindo dois dos maiores clubes de Portugal: Benfica e Sporting, os times dirigidos por Jorge Jesus se caracterizaram pelo futebol bonito, intenso e ofensivo. A obra mostra sua dedicação à profissão e a busca constante pela perfeição, inspirado pelo estilo de jogo do Barcelona de Johan Cruyff e da Seleção Brasileira de Telê Santana, em 1982.


Jorge Jesus: do início inusitado ao sucesso como treinador
O início da carreira como comandante à beira do campo foi, no mínimo, inusitada. Em 1989, o Amora vencia o Almacilense pelo placar de 3 a 0, em partida válida pela 3ª divisão. Com o placar adverso e buscando uma reação, o técnico do Almacilense colocou em campo um de seus reservas – ninguém menos que Jorge Jesus. A entrada dele mudou o panorama do jogo, que terminou empatado em 3 a 3.
Do lado de fora, Mário Rui Figueiredo, presidente do Amora, se impressionou com o desempenho do jogador. Não tanto pela técnica, mas pela forma como Jesus liderou e organizou o time dentro de campo. O dirigente não se fez de rogado: logo depois do apito final, fez o convite inusitado: “queres treinar o Amora?”.
Assim, Jorge Jesus foi de jogador no domingo a treinador na segunda-feira. A aposta de Mário Rui não tardou a se mostrar acertada: o então novato acabou conduzindo o Amora da 3ª para a 2ª divisão.
O episódio mostra uma característica de Jorge Jesus que foi fundamental para conquistar o coração da exigente (e muitas vezes intransigente) torcida do Flamengo: a ousadia. Jorge Jesus sabe o que quer e o que precisa fazer para alcançar. Antes de qualquer coisa, ele é um apaixonado pelo futebol. Vive, come, respira e dorme (pouco) por este esporte.
E essa paixão acaba se refletindo no estilo de jogo que ele imprime nas equipes que dirige: seus times buscam o gol, ditam o ritmo, vão para cima. Embora isso não garanta que as vitórias venham sempre – e o livro mostra também algumas derrotas dolorosas da carreira – também fica claro que dá para esperar intensidade sempre. Meio caminho andado para conquistar qualquer rubro-negro que se preze.
Em uma determinada passagem, Jorge Jesus admite que assiste futebol compulsivamente. E conta que, certa vez, ficou acordado até cinco e meia da manhã assistindo Atlético Goianiense X Villa Nova. Detalhe: ele revelou isso numa entrevista para o jornal “A Bola” em 2009, quase dez anos antes de se aventurar por aqui. Pode parecer pouco, mas ajuda a entender que o sucesso no Brasil não foi obra da sorte ou do acaso. O Mister é um profundo conhecedor do futebol – inclusive o brasileiro.
Ao contrário de outras biografias, “Jorge, amado e desamado” não esmiúça profundamente a vida do treinador rubro-negro. Mas o livro mostra que o torcedor do Flamengo ainda pode esperar muita coisa boa de Jorge Jesus. Desde a habilidade em lapidar e valorizar talentos – rendendo sucesso em campo e lucro nas vendas – até a busca incessante por títulos e vitórias. O Mister não se contenta com menos. E nem a gente…

Aquilo que eu estudo é futebol. Claro que tenho de ter um pouco de cultura geral, mas discurso não é percurso. E jogo falado é uma coisa, jogo treinado outra e jogo jogado outra ainda. O importante é conhecer o jogo e ter um discurso que os jogadores entendam, porque eles não estão a tirar um discurso acadêmico.
Mister Jorge Jesus

O Autor: Luís Garcia

O português Luís Garcia nasceu na cidade de Tomar, pertencente ao distrito de Santarém. Tem doutorado em Informática e obras publicadas em diversos gêneros como biografia, romance, conto e poesia.

FICHA TÉCNICA
EDITORA: Chiado Publishers
ISBN: 978-989-52-6397-4
EDIÇÃO: 1ª
ANO: 2019
FORMATOS DISPONÍVEIS: Impresso
- CUSTO-BENEFÍCIO 70%
- DESIGN 65%
- QUALIDADE 80%
Fotos de Jorge Jesus: Alexandre Vidal e Marcelo Cortes / Flamengo
Capa do livro: Chiado Publishers / Divulgação