Flamengo octacampeão: 8 trechos de textos para celebrar a alegria de ser rubro-negro

por | mar 6, 2021 | Especiais, Prateleira

Flamengo octacampeão brasileiro. Verdade que tentamos de todas as maneiras não levantar esse título. Mais verdade ainda que a conquista mostra a força rubro-negra no momento. Afinal, não é qualquer time que conquista o campeonato mais difícil do país jogando bem abaixo de sua real capacidade em grande parte da competição.

Isso não diminui em nada o título. É só olhar o retrospecto e ver o quanto é difícil um clube conquistar o Brasileirão duas vezes seguidas. O octa veio num momento atípico de pandemia, calendário ainda mais apertado e coronavírus como nivelador técnico. Um título sem a Magnética no estádio, mas presente em todos os cantos. 

A conquista veio na coletividade do time e na individualidade de uma camisa que se basta. Oito vezes campeão brasileiro sim. No campo. Nas arquibancadas. Na história e na memória.

Para celebrar, a Estante Rubro-Negra revirou as prateleiras para trazer oito pequenas amostras retiradas de textos diversos e ajudam a traduzir em palavras o que é o Flamengo.

Primeiro de oito trechos que exaltam o Flamengo. Seleção feita em homenagem ao octacampeonato brasileiro conquistado pelo Flamengo em 2021.

Flamengo sessentão

Trecho da crônica “Flamengo sessentão”, de Nelson Rodrigues, publicada no sexto número da extinta revista “Manchete Esportiva” (31/12/1955). Faz parte do livro “À sombra das chuteiras imortais”, primeira coletânea de crônicas esportivas de Nelson. 

“Também é de 911, da mentalidade anterior à Primeira Grande Guerra, o amor às cores do clube. Para qualquer um, a camisa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo, a camisa é tudo. Já tem acontecido várias vezes o seguinte: – quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juizes, bandeirinhas tremem então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no arco. E, diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável”.

Segundo de oito trechos que exaltam o Flamengo.  Seleção feita em homenagem ao octacampeonato brasileiro  conquistado pelo Flamengo em 2021.

Carta a João Antero de Carvalho

O juiz Eliezer Rosa enviou uma carta ao jurista João Antero de Carvalho propondo a criação de uma lei que obrigasse o Flamengo a vencer sempre. O trecho abaixo é parte da carta de Rosa, que foi publicada originalmente no jornal “O Dia”, em 26/06/1969.

“O Flamengo não é somente um clube, uma agremiação esportiva. O Flamengo é uma religião, uma seita, um credo, com sua bíblia e seus profetas maiores e menores. O Flamengo é um amor, uma devoção, uma eterna comunhão de sentimentos. Por eles muitos deram a vida, alienaram a liberdade, destruíram amizades, arruinaram lares, com homicídios e suicídios. O Flamengo, o flamenguismo, para ser mais exato, é uma cardiopatia. O Flamengo dá febre, dá meningite, dá cirrose hepática, dá neurose, dá exaltação de vida e de morte. O Flamengo é uma alucinação”.

Terceiro de oito trechos que exaltam o Flamengo.  Seleção feita em homenagem ao octacampeonato brasileiro  conquistado pelo Flamengo em 2021.

Ser Flamengo

Em homenagem ao centenário do clube, o falecido senador Artur da Távola (PSDB/RJ) fez um pronunciamento no Senado no dia 05/12/1995. O texto “Ser Flamengo”, publicado inicialmente no jornal “O Dia” em 1992, foi incluído no discurso. O trecho abaixo é parte desse texto.

“Ser Flamengo é ousar, é contrariar norma, é enfrentar todas as formas de poder com arte, criatividade e malemolência. É saber o momento da contramão, de pular o muro, de driblar o otário e de ser forte por ficar do lado do mais fraco. É poder tanto quanto querer. É querer tanto como saber; é enfrentar trovões ou hinos de amor com o olhar firme da convicção.

Ser Flamengo é enganar o guarda, é roubar o beijo. É bailar sempre para distrair o poder e dobrar a injustiça. É ir em frente onde os outros param, é derrubar barreiras onde os prudentes medram, é jamais se arrepender, exceto do que não faz. É comungar a humildade com o rei interno de cada um.

Quarto de oito trechos que exaltam o Flamengo.  Seleção feita em homenagem ao octacampeonato brasileiro  conquistado pelo Flamengo em 2021.

Garotos do Ninho

O quarto trecho escolhido vem do posfácio “Garotos do Ninho”, publicado no excelente “Outro patamar”, livro escrito pelo igualmente excelente Téo Benjamin. 

O Flamengo não é uma padaria, uma escola local ou uma mineradora. O Flamengo é o Brasil, esse é o nosso DNA. É nisso que acreditamos. É a pedra fundamental da nossa cultura rubro-negra. Tudo que envolve o Flamengo ganha – e deve ganhar – proporções diferentes. É justamente por isso que somos o que somos”.

Quinto de oito trechos que exaltam o Flamengo.  Seleção feita em homenagem ao octacampeonato brasileiro  conquistado pelo Flamengo em 2021.

Era o Flamengo

Em 05/12/1955, o grande José Lins do Rego escreveu a crônica “Era o Flamengo” no jornal “O Globo”, fonte dos dois parágrafos abaixo:

Há no Flamengo esta predestinação para ser, em certos momentos, uma válvula de escape às nossas tristezas. Quando nos apertam as dificuldades. Lá vem o Flamengo e agita nas massas sofridas um pedaço de ânimo que tem a força de um remédio heróico. Ele não nos enche a barriga, mas nos inunda a alma de um vigor de prodígio.

Vinha descendo para o centro da cidade o povo na cantoria feliz, gente de todas as cores. Cadillacs arvorando bandeiras, e a moçada do debique de inveja no ruído consagrador do triunfo. Não era uma classe, nem uma raça, que se rejubilava. Era aquilo que se chama povo que é mais alguma coisa. Era o meu Flamengo, na sua universalidade brasileira, clube que não tem donos ricos nem pobres reclamam. Todos só querem o Flamengo na ponta”.

Sexto de oito trechos que exaltam o Flamengo.  Seleção feita em homenagem ao octacampeonato brasileiro  conquistado pelo Flamengo em 2021.

O Flamengo não se explica

O jornalista e compositor David Nasser era tricolor. Mas sabia que tem coisa que transcende a lógica. Abaixo, temos um trecho da célebre crônica “O Flamengo não se explica”.

É uma paixão como um rio, que tivesse nascido como um fio d’água numa cordilheira e rolasse por um continente, crescendo, avolumando-se num monstruoso curso d’água  de paixões, de esperanças, de vibrações, de mágoas, de decepções. Assim é o mistério do Flamengo”.

Sétimo de oito trechos que exaltam o Flamengo.  Seleção feita em homenagem ao octacampeonato brasileiro  conquistado pelo Flamengo em 2021.

Histórias do Flamengo

O ilustre Mário Filho, jornalista que dá nome ao nosso Maraca, foi o autor de “Histórias do Flamengo”, obra canônica sobre o Mais Querido. O livro é um clássico de ponta a ponta. E no primeiro capítulo “Introdução ao Flamengo”, podemos ler:

“Mas a pergunta ainda está sem resposta; por que o Flamengo se tornou o clube mais amado do Brasil? Ou por que foi o Flamengo o escolhido, justamente o Flamengo e não outro? Talvez por causa da legenda ou da saga do Flamengo. Ou, quem sabe, porque o Flamengo se deixe amar à vontade, seja o mais fácil de se amar. Não impõe restrições a quem o ama. Aceita o amor do príncipe e do mendigo, e se orgulha de um e de outro. Se um flamengo matasse pelo Flamengo, seria um herói; se morresse por ele, um mártir ou um santo”. 

Oitavo de oito trechos que exaltam o Flamengo.  Seleção feita em homenagem ao octacampeonato brasileiro  conquistado pelo Flamengo em 2021.

Mais um aniversário – o Flamengo e a República

O livro “Ser Flamengo”, lançado em 2006, reuniu crônicas escritas por diversos rubro-negros para o blog Flamengo NET. Uma delas é “Mais um aniversário – o Flamengo e a República”, de João Marcelo Ehlert Maia, onde podemos ler o trecho abaixo.

O Flamengo é grandioso, mas não tem ares de nobre aristocrático. Sua grandeza vem da familiaridade e da crença de um povo na sua própria força e inventividade. Nosso time não vive apenas de tradição e salas de troféus (embora tenhamos muito das duas coisas), mas sim da energia apaixonada de milhares de indivíduos que vêem no Flamengo uma encarnação do potencial democratizante do Brasil. Vermelho e negro como uma vela de macumba, o Flamengo mostra que para ser elegante não precisa de um aristocrático salão em Laranjeiras. Também não precisa ser “o primeiro time que aceitou negros” para ser popular. O Flamengo não “aceitou” ninguém, ele foi tomado de assalto por uma massa de brasileiros que encontrou ali sua identidade original, identidade esta que não precisa de babados para ser elegante. O Flamengo tem a postura altiva de uma idosa mãe de santo, e desfila em campo e na arquibancada com o refinamento de uma escola de samba. Isso é elegância à brasileira”.